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Você viu? Oito propostas tentam proibir união estável gay

De autoria de Débora Santos, retirado do portal G1 – o original você lê aqui.

No Congresso, oito propostas tentam proibir união estável entre gays

Dados fazem parte de estudo encomendado pelo Ministério da Justiça. Para deputado, país não quer reconhecer homossexualidade como família.

O Congresso Nacional registrou, de 1969 até o mês de novembro deste ano, 97 propostas relacionadas aos direitos de homossexuais, segundo mostram dados de um estudo feito pelo Núcleo de Pesquisas de Gênero da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O levantamento foi encomendado pelo Ministério da Justiça.

Das 97 propostas, oito estão em andamento e visam proibir a união entre pessoas do mesmo sexo. Em maio deste ano, por falta de uma lei sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre homossexuais. Continue lendo

Professor gay: desafios e conquistas

Fonte: Universia

Medo de retaliação e preconceito leva docentes a omitir opção sexual

“Certamente 99% dos gays e lésbicas professores vivem presos dentro da gaveta do enrustimento”, diz Luiz Mott.

Quando se fala de universidade e Ensino Superior instantaneamente somos remetidos à imagem de um ambiente de discussão de idéias relevantes, tanto em âmbito nacional como internacional, na busca da evolução da sociedade. Mesmo alunos mais jovens que, às vezes, não estão preparados para esta realidade, aos poucos, são inseridos em um novo ambiente que os instigue a pensar de forma mais ampla e livre de preconceitos. Preconceitos que podem demorar ultrapassar as barreiras da sala de aula.

No Brasil, o clima amistoso entre universitários é bem comum. Por isso, ter um colega de classe gay, tudo bem. Mas e o professor se assume perante colegas e alunos? Não. Muitos professores homossexuais preferem omitir sua opção para evitar conflitos, retaliações ou possíveis constrangimentos na universidade. Não só por parte dos alunos, mas dos colegas docentes e, ainda, por funcionários das instituições. “Certamente 99% dos gays e lésbicas professores vivem presos dentro da gaveta do enrustimento. Têm medo de se assumir, com medo de serem demitidos ou terem sua carreira prejudicada”, revela o doutor em Antropologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Luiz Mott.

Ele, que assumiu sua homossexualidade em 1972, uma época extremamente difícil para se posicionar desta forma, conta que lutou muito para combater o preconceito no Ensino Superior. Batalhas travadas para mostrar o quanto sua competência era maior que o estigma lhe dado por conta de sua orientação sexual. “Em toda minha vida sofri dois casos explícitos de discriminação”, lembra. O primeiro aconteceu assim que fora convidado para lecionar na UFBA. “Uma amiga indicou meu nome para o cargo e um certo professor disse: mas você sabia que ele é gay? Ela respondeu: sim, mas o que está em jogo é a competência e não a opção sexual do professor”, conta.

O segundo caso de discriminação aconteceu quando ele já atuava no departamento de Antropologia da UFBA e havia sido indicado para o cargo de chefia. “Estavam discutindo em uma reunião, a qual eu não estava presente, os possíveis nomes para a chefia. Indicaram meu nome e um professor disse: `E veado pode ser chefe de departamento?’ Obviamente fui questionar com ele quando soube deste episódio, já que era o mais antigo e qualificado para o cargo. Ele negou, mas os outros professores confirmaram sua declaração na reunião”, diz.

Mott acrescenta que os casos de perseguição contra os docentes homossexuais são mais comuns do que se imagina. Por meio do grupo Gay da Bahia chegam ao seu conhecimento as mais variadas denúncias. “Soube de professores gays que tiveram suas notas conferidas para ver se privilegiavam os rapazes!”, diz. Certa vez, um professor em Natal sofreu contrangimentos por ter publicado um poema homoerótico numa revista nacional. Tal comportamento homofóbico pode fazer com que muitos professores prefiram se manter “às escuras” sem que levem as discussões sobre sexualidade para as salas de aula.”Creio que 1% dos assumidos/as raramente utiliza as salas de aula para falar sobre homossexualidade, embora todos os alunos e colegas saibam de sua orientação sexual”, revela.

Tema em pauta na sala de aula

Existem, porém, iniciativas por parte das instituições e mesmo de professores, que não necessariamente são homossexuais e estudam o assunto, de debater o tema em classe. Por mais que eles digam que a iniciativa não tenha o objetivo exclusivo de conscientizar, nota-se que ela funciona na promoção da igualdade social.

A professora da UnB (Universidade de Brasília) Ana Galinkin, que leciona a disciplina de Psicologia de Gêneros na pós-graduação, conta que há várias linhas de pesquisa sobre gêneros e homossexualidade. Além disso, em sua classe estudam alunos homossexuais e heterossexuais e a convivência é muito saudável. “A diversidade de opiniões é muito sadia. Ninguém é obrigado a achar normal a homossexualidade do outro, o que está errado é discriminar”, ressalta.

Segundo ela, o tema homossexualidade acaba sendo sempre mais polêmico em sua disciplina do que quando se discute o preconceito e a discriminação da mulher, mas ainda assim o assunto é levado com bastante tranquilidade. “Nunca vivi uma experiência de preconceito entre meus alunos, o que leva a crer que a convivência pode ser muito sadia desde que os jovens sejam levados a refletir, questionar e estejam sempre lidando com o assunto”, conclui.

Governo mineiro vai implantar BO com espaço para orientação sexual

Retirado do Portal Mix Brasil:

Governo quer números oficiais para traçar políticas de combate à homofobia

Na tentativa de facilitar a distinção de crimes motivados por preconceito, o Governo de Minas Gerais pretende implantar, ainda neste semestre, um novo modelo de Boletim de Ocorrência. O documento, que será utilizado pelas Polícias Civil e Militar, e pelo Corpo de Bombeiros, terá campos específicos para o preenchimento da orientação sexual e da motivação do crime. Com estas informações, o Governo vai criar um banco de dados com números oficiais sobre a violência contra homossexuais e, consequentemente, planejar políticas de combate à homofobia.

O que fazer em caso de discriminação ou agressões?

Em vídeo produzido pelo pessoal do Gudds!, o Diretor para Assuntos Estudantis da UFMG, Luiz Guilherme Knauer, orienta a comunidade acadêmica sobre como proceder em casos de agressões e outros tipos de discriminação na Universidade.

A vítima, segundo orientações de Knauer no vídeo, deve procurar, respectivamente: a segurança universitária – (31) 4383-8353; a coordenadoria de Assuntos Comunitários – (31) 3409-4587; a Diretoria para Assuntos Estudantis – (31) 3409-4567 e, em última instância, a Ouvidoria da UFMG – (31) 3409 -6466.

Veja abaixo:

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Texto belíssimo de Tayane Lino e Rafaela Vasconcelos a respeito do assassinato de Priscila Brandão e da violência gritante da qual os/as travestis têm sido vítimas nas últimas semanas. Texto e fotos publicados originalmente no blog Aquenda, Mona!.

crime_sceneEm meio a olhos marejados, em uma tristeza que teimava em se manifestar – no rosto de uma jovem morta, de uma mãe inconsolável, de amigos indignados, de um irmão que clama por justiça – que se prolongou pela madrugada e logo cedo com o montante de e-mails sobre uma nova agressão, me pergunto porque? Porque os gritos, as piadas, os xingamentos, as ofensas, os insultos, as pedradas, as pauladas, os tiros? O que torna esse grupo passível a violência? Sujeitos asujeitados, com um passado esquecido, um presente incerto e um futuro assustador? Será que ao desafiar as normas reguladoras dos gêneros e da sexualidade elas e eles deixam de ser humanos? Ao se tornarem seres mutantes que, um dia ousaram desejar ser outra coisa as portas do mundo estão fechadas e ninguém mais se importa com sua existência?

Uma indignação paira sobre nós quando vemos o rumo que as notícias têm tomado, e explicitado o lugar de abjeção que as/os travestis têm ocupado. Longe de uma sub-cidadania as/os travestis estão fora do entendido como humano. Os meios de comunicação parecem estar em um esforço continuo de manutenção das desigualdades e desumanidades ao abordarem a morte brutal e a violência com pano de fundo das discussões, reflexões e ações, e reforçarem a idéia de que a morte de uma travesti evidencia a “intranqüilidade” e o perigo que os “cidadãos de bem” que morram próximos aos pontos de prostituição da cidade estão sujeitos.

Depois de uma trajetória de sofrimentos e coragem para modificações corporais, de rejeição e conflitos familiares, de hostilidade e humilhação pela sociedade, acabar a vida sendo baleada e assassinada no meio da rua: O que noticiar sobre esta situação? Vamos falar dos incômodos da classe média em ter que enxergar o que ela faz com quem não tem a vida que ela acha válida. Parece ser esta a premissa dos veículos de comunicação do Estado ao noticiar as atrocidades que ocorreram esta semana em Belo horizonte.

Ao noticiarem as mortes de travestis sempre ligadas ao envolvimento com drogas, brigas por pontos de prostituição, ou conflitos entre as travestis/transexuais a mídia banaliza, justifica e/ou diminui a violência de tais ações. A história de Priscila como a de tantas outras travestis espalhadas pelo Brasil termina “no chão feito um pacote flácido” agonizando “no meio do passeio público”, morrendo “na contramão atrapalhando o tráfego” e incomodando quem teria que acordar cedo para trabalhar.

Da Revista Fórum: Homofobia em preto e branco

Excelente reportagem dos jornalistas Glauco Faria e Thalita Pires, da Revista Fórum (edição 94). Leia aqui um trecho e veja a íntegra no próprio site da revista, falando sobre o papel da internet, da mídia e da religião no processo, além do que pode ser feito e da relação da homofobia com outros preconceitos. Vai lá!

Homofobia em preto e branco

Episódios de violência contra homossexuais trazem à tona a discussão sobre  direitos negados e preconceitos, que são encarados como corriqueiros pela sociedade 
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Por Glauco Faria e Thalita Pires

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No último 14 de novembro, quatro menores de idade e um jovem de 19 anos agrediram fisicamente, utilizando até lâmpadas fluorescentes, três pessoas que caminhavam na avenida Paulista, em São Paulo. No mesmo dia, um estudante foi xingado e baleado por um militar do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, logo depois do fim da Parada Gay carioca. Ainda que as imagens da agressão paulistana tenham chocado, isso não evitou que, 20 dias depois, outros dois jovens fossem vítimas de nova agressão, na mesma avenida. E, no dia seguinte, que imagens de um circuito de segurança mostrassem outro caso na mesma região.

É provável que quando você estiver lendo esta matéria novos casos de violência homofóbica terão ocorrido. Casos notórios como os descritos acima trouxeram à tona a preocupação com a segurança e a proteção da vida de homossexuais no país, embora boa parte da sociedade ainda queira evitar a questão, banalizada e invisível durante a maior parte do tempo. Agressões que têm a orientação sexual como motivação são constantes no Brasil. Não existem dados oficiais a respeito, mas levantamento realizado pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais contabiliza 198 homicídios com motivações homofóbicas em 2009. Em 2010, esse número já chegaria a 205. Segundo o antropólogo Luiz Mott (Universidade Federal da Bahia/UFBA), até 15 de dezembro, o número atingia a marca de 235 mortes, o que colocaria o Brasil na primeira posição entre os países que realizam algum tipo de levantamento.

A evolução da violência é preocupante, e a subnotificação dos casos indica que esse índice pode ser muito maior. Nem sempre as vítimas denunciam os crimes dos quais são vítimas, muitas vezes pelo fato de os algozes serem pessoas conhecidas. “A maioria das vítimas tem algum tipo de relação ou vínculo com o agressor, sendo um familiar, amigo, vizinho ou colega de trabalho. E esse agressor tem uma nítida impressão de impunidade, mesmo sabendo que está cometendo um crime”, conta Franco Reinaudo, da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da prefeitura de São Paulo.

Reinaudo se refere ao Mapa da Homofobia, elaborado pela administração paulistana com base em um serviço de denúncias, que ajuda a traçar um mapa das agressões homofóbicas na cidade. Alguns dados merecem destaque e podem ter pontos em comum com outros municípios brasileiros. “Pode-se constatar a intolerância dentro do ambiente doméstico, já que 22% das agressões físicas acontecem dentro de casa. Quando a vítima nos procura por conta da homofobia familiar, é porque foram expulsos da residência em função de o pai ou a família descobrirem que são homossexuais”, relata. “Existem alguns casos emblemáticos, como o de um pai que martelou a mão do menino por conta da sua homossexualidade, e a comunidade ficou a favor disso. Outro caso foi de uma mãe que pediu para o companheiro dela estuprar a filha quando descobriu que era lésbica, para que ela `virasse mulher`.”

Conforme o mapa da homofobia paulistano, das mil denúncias de agressões, 50% aconteceram no centro expandido, que engloba a avenida Paulista. “A gente desconfiava que o centro ia aparecer por dois motivos: lá, é a área onde se tem o maior número de estabelecimentos da comunidade, e sabemos também que existe uma quantidade expressiva de homossexuais e travestis que moram nessa região”, explica Reinaudo. “Em geral, uma outra informação que chega no mapa é que essa violência, quando acontece em espaço público, é bastante covarde, porque os agressores estão em maior número ou pegam a pessoa de surpresa. É uma agressão gratuita, a pessoa não tem a chance de responder. Eles não atacam onde existe alta concentração, a agressão é feita no caminho em que as pessoas estão indo ou vindo da balada, são quase emboscadas  no entorno para pegar a pessoa desprevenida”.

Atenção, gente, é dia 25! Dia Mundial de combate à Violência contra MULHERES

A cada 2 horas uma mulher

é assassinada!

A cada 3 minutos uma mulher é violentada!

Até quando?

CHEGA DE VIOLÊNCIA!

25 DE NOVEMBRO (quinta-feira)

Dia Mundial de combate à Violência contra MULHERES

Ato às 16h, na Praça 7 (centro da capital)

Minas Gerais tem sido destaque no noticiário nacional por ser cenário de crimes bárbaros contra as mulheres. A história de Maria da Penha continua se repetindo, diariamente, na vida das mulheres brasileiras, especialmente as mais pobres, negras e jovens. Em diversos casos, elas buscaram proteção do Estado, sem sucesso. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, apenas 2% dos agressores de mulheres são condenados em nosso País.

O Estado, através da sua negligência, tem torturado cotidianamente milhares de mulheres brasileiras. A Lei Maria da Penha não é aplicada por falta de investimentos e pelo machismo que existe também nas instituições estatais que, na maioria das vezes, não protegem as vítimas que pedem socorro. Em Belo Horizonte, até o momento, não foi implantado o Juizado Especial previsto na Lei Maria da Penha, para agilizar os processos criminais e de proteção às mulheres. Em Minas Gerais, há apenas cinco casas abrigo para as mulheres em situação de risco; BH possui apenas uma, com dez vagas.

Vivemos em um Estado com grande déficit habitacional, que além de não garantir o direito a moradia à população pobre, oferece o despejo e a rua como única alternativa às mulheres e suas famílias que lutam e resistem nas ocupações urbanas, e também àquelas que, nas ocupações rurais, lutam pelo fim do latifúndio e pela possibilidade de trabalho e de uma vida digna no campo. Nas filas dos presídios todos os dias várias mulheres são desrespeitadas, humilhadas e violentadas durante as revistas. As mulheres lésbicas também são constantemente agredidas, vítimas do machismo e do preconceito praticado pela sociedade e pelo Estado. Todos têm direito à livre orientação sexual.

A violência e a subordinação da mulher são tratadas como algo natural. O machismo tem alcançado níveis alarmantes! Não podemos aceitar! CHEGA! Precisamos nos organizar para combater todo tipo de violência e preservar os direitos de todos os seres humanos.

Todos têm direito a uma vida sem violência!

POR ISSO ESTAMOS NAS RUAS E LUTAMOS PARA

QUE  TODAS AS MULHERES SEJAM LIVRES!

Assinam:

MMM, ALÉM, Mulheres em Luta, CSP-CONLUTAS, Brigadas Populares, IHG, MLB, Via Campesina, Coletivo de Mulheres Anita Garibaldi, Comitê Mineiro do FSM, MTD, AMES

Nota pública da ABGLT – adoção por casais homoafetivos e homossexuais

NOTA PÚBLICA

PROJETOS DE LEI NA CÂMARA DOS DEPUTADOS QUE VISAM À PROIBIÇÃO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS OU POR HOMOSSEXUAIS

A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – cumprindo seu relevante papel social de defender a Dignidade e a Cidadania de pessoas LGBTs, representadas nas 237 associações civis, componentes da estrutura de representação desta Entidade Nacional, vem a público manifestar o seu REPÚDIO à proposta legislativa de numero 7018/2010 de autoria do deputado federal Zequinha Marinho.

O I. Deputado referido lança no Projeto de Lei, citado acima, a indigna e afrontosa ideia de obstaculizar, através de instrumento legal, adoção de crianças postulada por pessoas em convivência homoafetiva estável.

Justifica esta sua iniciativa legislativa em decorrência de várias decisões judiciais, que tutelando interesses de crianças, vêm deferindo a adoção postulada em processos por parceiros(as) homoafetivos(as).

Elenca o Deputado autor a possível correspondência legislativa de sua ação parlamentar com legislação próxima na Ucrânia.

Ignorando o disposto sobre o tema adoção em países que possuem legislações e/ou instrumentos legais, no sentido diametralmente inverso, ou seja, permitindo a adoção por parceiros(as) homoafetivos(as).

Esta iniciativa parlamentar violenta não apenas o Direito de pessoas LGBTs, atingindo também a possibilidade de crianças, em situação de abandono, terem um Lar para chamar de seu, podendo dispor de pessoas que as venham assistir e cuidar.

A afronta à dignidade e cidadania de pessoas LGBTs e, das crianças abandonadas à sua própria sorte, é enorme e desproporcional.

O preconceito demonstrado na “justificação” do referido Projeto, comprova que a discriminação gerada pela homofobia pode não só violentar fisicamente as pessoas; como pode impedir uma construção positiva de nossa Sociedade.

Esta atitude, que é um ataque frontal a decisões do Poder Judiciário, tencionando exterminar tutelas seletivamente concedidas, afeta a construção da Cidadania de outras pessoas; obstaculizando a criação de lares para crianças abandonadas em nosso País.

A grave situação de abandono de crianças sem lares para viver em nosso País, não pode ser legalmente agravada, pelo preconceito e discriminação de pessoas que imbuídas de sentimentos homofóbicos, posicionam-se no sentido contrário aos interesses de pequenos futuros Cidadãos de nosso País.

A proposta atenta contra a Dignidade Humana e contra a Cidadania das populações a serem atingidas pelo seu conteúdo, baseado no mais puro e obtuso preconceito.

Estendemos nosso repudio também ao PL 4508/2008 (Dep. Olavo Calheiros), por ter o mesmo conteúdo, preconceituoso e discriminador, ao tratar do tema adoção.

Neste sentido pedimos aos que defendem a Dignidade Humana e a construção de uma Sociedade Justa, Fraterna e Plural, que rejeitem as referidas Propostas Legislativas, pois lastreadas no preconceito, que a tudo aniquila, geram discriminação afrontosa.  

12 de abril de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

NOTA PÚBLICA

PROJETOS DE LEI NA CÂMARA DOS DEPUTADOS QUE VISAM À PROIBIÇÃO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS OU POR HOMOSSEXUAIS

A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – cumprindo seu relevante papel social de defender a Dignidade e a Cidadania de pessoas LGBTs, representadas nas 237 associações civis, componentes da estrutura de representação desta Entidade Nacional, vem a público manifestar o seu REPÚDIO à proposta legislativa de numero 7018/2010 de autoria do deputado federal Zequinha Marinho.

O I. Deputado referido lança no Projeto de Lei, citado acima, a indigna e afrontosa ideia de obstaculizar, através de instrumento legal, adoção de crianças postulada por pessoas em convivência homoafetiva estável.

Justifica esta sua iniciativa legislativa em decorrência de várias decisões judiciais, que tutelando interesses de crianças, vêm deferindo a adoção postulada em processos por parceiros(as) homoafetivos(as).

Elenca o Deputado autor a possível correspondência legislativa de sua ação parlamentar com legislação próxima na Ucrânia.

Ignorando o disposto sobre o tema adoção em países que possuem legislações e/ou instrumentos legais, no sentido diametralmente inverso, ou seja, permitindo a adoção por parceiros(as) homoafetivos(as).

Esta iniciativa parlamentar violenta não apenas o Direito de pessoas LGBTs, atingindo também a possibilidade de crianças, em situação de abandono, terem um Lar para chamar de seu, podendo dispor de pessoas que as venham assistir e cuidar.

A afronta à dignidade e cidadania de pessoas LGBTs e, das crianças abandonadas à sua própria sorte, é enorme e desproporcional.

O preconceito demonstrado na “justificação” do referido Projeto, comprova que a discriminação gerada pela homofobia pode não só violentar fisicamente as pessoas; como pode impedir uma construção positiva de nossa Sociedade.

Esta atitude, que é um ataque frontal a decisões do Poder Judiciário, tencionando exterminar tutelas seletivamente concedidas, afeta a construção da Cidadania de outras pessoas; obstaculizando a criação de lares para crianças abandonadas em nosso País.

A grave situação de abandono de crianças sem lares para viver em nosso País, não pode ser legalmente agravada, pelo preconceito e discriminação de pessoas que imbuídas de sentimentos homofóbicos, posicionam-se no sentido contrário aos interesses de pequenos futuros Cidadãos de nosso País.

A proposta atenta contra a Dignidade Humana e contra a Cidadania das populações a serem atingidas pelo seu conteúdo, baseado no mais puro e obtuso preconceito.

Estendemos nosso repudio também ao PL 4508/2008 (Dep. Olavo Calheiros), por ter o mesmo conteúdo, preconceituoso e discriminador, ao tratar do tema adoção.

Neste sentido pedimos aos que defendem a Dignidade Humana e a construção de uma Sociedade Justa, Fraterna e Plural, que rejeitem as referidas Propostas Legislativas, pois lastreadas no preconceito, que a tudo aniquila, geram discriminação afrontosa.

12 de abril de 2010

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Você viu? Associação Paranaense de LGBT Surdos é fundada em Curitiba

Foi inaugurada, na última quinta-feira (8), na sede da Aliança Paranaense pela Cidadania LGBT (endereço abaixo), a Associação Paranaense de LGBT surdos (APLS).

A APLS é uma organização não-governamental que surge com o intuito de promover o enfrentamento à dupla discriminação sofrida por pessoas LGBT surdas, bem como possibilitar o acesso à prevenção em HIV/DST-Aids, visto que a diferente forma de comunicação utilizada por essa população, às vezes dificulta o acesso às informações corretas.

“A necessidade dessa instituição é visível. A primeira língua de uma pessoa surda não é o idioma do país em que ela nasce, mas sim a linguagem de sinais (libras) ou seja, os surdos(as) acabam tendo dificuldade de entender certas informações. Precisamos que os materiais de prevenção e também de direitos humanos nos contemplem”, relatou, Paulo Sério, vice-presidente da APLS.

A diretoria da organização é composta somente por pessoas LGBT com deficiência auditiva que, desde o começo do ano, se reunem para a formulação do estatuto da instituição, e uma das primeiras ações propostas do grupo é a realização de um curso de libras. O valor da mensalidade será simbólico e a grade horária terá duração de 9 meses.

A APLS utilizará a sede da Aliança Paranaense pela Cidadania LGBT, localizada na Avenida Marechal Floriano Peixoto, n° 366, 4° andar.

Diretoria:

Julio César – Presidente

Paulo Sérgio – Vice-Presidente

Lyndsen Gabardo – Diretora Administrativa

Conselho Fiscal:

Rafaela P. Hoebel Lopes dos Santos

Naiana Caroline Raad

Carlos Francisco Priprá

Informações:

Assessoria de Comunicação Aliança Paranaense pela Cidadania LGBT

Igor Francisco
Presidente – CEPAC
Centro Paranaense da Cidadania
E-mail:presidencia@cepac.org.br
(41) 3232 1299
(41) 9957 2181

Comunicadores, reflitam…

Via Mariana Septímio, pela lista de discussão:

É fato: as notícias ainda são masculinas

Em 130 países e durante 24 horas, voluntários e voluntárias, jornalistas e comunicadores, acompanharam a transmissão/publicação ao vivo de notícias em emissoras de rádio e televisão e em jornais. O objetivo? Analisar a cobertura da mídia sobre as mulheres. Foram 6.902 matérias, nas quais apareceram 14.044 entrevistados e entrevistadas.

O resultado, infelizmente, já era esperado: em comparação aos homens, as mulheres continuam sub-representadas; foram apenas 24% das fontes e 16% do foco das pautas. Os dados foram apresentados esse mês na 54ª. Sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher, em Nova York, Estados Unidos. São ainda análises preliminares: o resultado final do monitoramento, conduzido pela WACC (A Associação Mundial para a Comunicação Cristã, em português) e bancado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), será publicado apenas em setembro.

Outra constatação divulgada nessa primeira etapa é a de que metade das notícias – 48% – reforçam os estereótipos de gênero e apenas 8% os questionam. Segundo o monitoramento, matérias realizadas por repórteres mulheres dão mais espaço a mulheres nas entrevistas, em comparação a matérias de repórteres homens. Ou seja, a invisibilidade das mulheres é também fruto de como os/as jornalistas constroem as pautas.

Diante disso, e sempre com a expectativa de mudar um pouco essa realidade, volto a publicar aqui uma proposta mínima de um “manual de redação” que, caso aplicado, poderia diminuir as disparidades:

1) Toda a violência contra a mulher deve noticiada de forma abrangente, não como um caso isolado, e jamais como apenas algo “passional”, mas sim social, decorrente da posição de “proprietário” exercida pelo homem dentro do casal;

2) Nunca se referir a uma pessoa apenas como “a mulher de alguém”, mas sim como um ser humano completo, com profissão, rosto, nome e sobrenome;

3) Não explorar o corpo da mulher por meio de imagens e/ou texto; exemplo: em pautas sobre o calor no Rio de Janeiro, encontrar outras formas de retratar a situação que não sejam mulheres de biquíni em fotos super ampliadas;

4) Consultar sempre a mulher como fonte e de preferência não somente como personagem – leia-se a dona-de-casa que comenta o aumento do pão francês –ou como celebridade;

5) Adotar uma linguagem com preocupação de gênero, ou seja, que as palavras sejam utilizadas tanto no masculino quanto no feminino. Isso vale também para a questão da mulher não ser mencionada mais no primeiro nome (o que reflete uma proximidade e uma intimidade com o leitor irreais) enquanto o homem é referido pelo sobrenome (o que inspira autoridade).

Não é tão difícil assim, é?

(Escrito por Maíra Kubík Mano – Jornalista, cientista política e editora de Le Monde Diplomatique Brasil)