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#VETAHOMOFOBIADILMA

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A Rede Universitária em Defesa da Diversidade Sexual – RUDS MG está realizando hoje uma campanha contra a homofobia chamada #VETAHOMOFOBIADILMA.

A campanha pede para que as pessoas tirem uma foto sua com o escrito #VETAHOMOFOBIADILMA e divulgue na internet e nos canais da Rede. O GUDDS! como um dos integrantes da RUDS e um dos idealizadores da campanha também participou dessa ação e tirou diversas fotos na UFMG. Caminhamos pelos prédios da UFMG convidando aqueles que passassem para participar da campanha também! Conseguimos quase cinquenta fotos que vocês podem conferir no nosso facebook: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.430758586942120.108175.107149702636345&type=3

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Leia o texto da campanha e participe você também:

Dia 17 de Maio: dia de quê?

Dia de contar pra todo mundo que nós não estamos satisfeitxs com a situação de violência e de precarização de direitos que lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transmulheres e transhomens estão submetidxs neste país.

Estamos exaustxs e preocupadxs com as manifestações preconceituosas e violentas abaixo de cada notícia sobre homossexualidade na internet;

Estamos cheixs de nos contentar com a atuação teatral de alguns representantes dos segmentos LGBT;

Não vamos nos satisfazer somente com a “tolerância” de alguns poucxs simpáticxs à causa, que nos apoiam desde que nós, LGBT, continuemos como cidadãos/cidadãs de segunda classe;

Achamos irresponsável e inconsequente manifestações oficiais do governo federal de caráter preconceituoso e desinformativo, sobre educação e orientação sexual, num país onde milhares de pessoas são mortas diariamente de formas cruéis por vivenciar (ou se supor vivenciar) orientações sexuais não-heterossexuais e identidades de gêneros diversas.

Sabemos que a homofobia é um sistema complexo e não se resume somente à atuação individual. Que é consequência e mantenedora de um sistema de pensamento e organização social heteronormativas. E que a homofobia não atinge somente à LGBT!

No entanto, sem desconsiderar esta complexidade, acreditamos que ações simples podem nos ajudar a começar a desconstruir algumas velhas mentiras, mascaradas de verdades. É por isso que nós da Rede Universitária de Diversidade Sexual de Minas Gerais – RUDS Minas convidamos tod@s a entrar na onda do VETO e no dia 17 de maio de 2012 enviar um recado para o Governo Federal:

#VETAHOMOFOBIADILMA

Veta a homofobia nas nossas escolas: expressa nas falas e brincadeiras cotidianas de professores, alunos e funcionários; nos livros didáticos; nas práticas pedagógicas!

Veta a homofobia no nosso sistema de saúde: onde travestis, transhomens e transmulheres não são respeitados; onde lésbicas não tem atendimento apropriado!

Veta a violência, a humilhação e a covardia que acompanham a homofobia!

A RUDS Minas convoca todxs para tirarem uma foto (da sua webcam, do seu celular, da sua maquina digital, do que você tiver mais perto) com uma plaquinha com estes dizeres #VETAHOMOFOBIADILMA e a partir das 00h00 do dia 17 de maio de 2012 postar nas suas páginas da internet/celular (facebook, twiter, instagram,…) e na página da RUDS: https://www.facebook.com/rudsmg (é importante postar aqui para podermos ter registro de todas as fotos)

Vamos contar pra todo mundo, que se for pra vetar alguma coisa, Presidenta Dilma, além do código florestal, vete a violência a qual ninguém deve ser submetido, única e exclusivamente, por sua orientação sexual e identidade de gênero!

A Sua Universidade é Homofóbica?

Dia 17 de Maio é o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia. Este dia é celebrado em todo mundo em razão da retirada, pela Organização Mundial de Saúde, da homossexualidade, em 1990, da lista de desordens mentais.

No espírito dessa dia o Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual – GUDDS, em parceria com a Rede Universitária de Diversidade Sexual – RUDS, o  Coletivo Travessia e outr@s promoverá uma panfletagem, na hora do almoço, no Bandejão da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. O bandejão é um local pelo qual mais de 4000 pessoas transitam diariamente. Alun@s, professor@s,  funcionári@s da UFMG e outras pessoas que por alí se alimentam serão abordad@s e receberão um panfleto perguntando: “A sua universidade é homofóbica?”. Com essa pergunta e diversas outras o GUDDS quer convidar a comunidade acadêmica para debater sobre a homofobia da e na universidade.

Participe desse debate aqui e nas nossas redes sociais:

https://twitter.com/guddsmg

www.facebook.com/guddsmg

Vereadores do Rio proibem materiais didáticos sobre Diversidade Sexual

Na última sexta feira, dia 23 de Março de 2012, a câmara de vereadores do Rio de Janeiro votou, pela primeira vez, sobre um projeto de Lei que veda “a distribuição, a exposição e a divulgação de livros, publicações, cartazes, filmes, vídeos, faixas ou qualquer tipo de material, contendo orientações sobre a diversidade sexual” nas escolas públicas do Rio.

O argumento apresentado pelo vereador Carlos Bolsonaro, autor do projeto, é que “temos a obrigação de preservar o direito de todos e respeitar as vontades de cada ser humano, sobretudo, não podemos permitir que o Poder Público, através da rede de ensino fundamental direcionada basicamente ao público infanto-juvenil, venha influenciar nossas crianças na escolha de sua sexualidade, devendo, este fato, acontecer naturalmente na idade certa, de acordo com a base familiar de cada um”. A preocupação do vereador é que a exposição de material que mencione de forma explícita expressões de sexualidade não heterossexuais possa de alguma forma, influenciar, as crianças a se tornarem homossexuais. O que o vereador esquece é que falamos o tempo todo de sexualidade, desde os primeiros ciclos básicos das escolas, mas falamos de um tipo específico de sexualidade: a sexualidade heterossexual. Falamos em sexualidade ao dividir as filas do banheiro e do bebedouro, falamos em sexualidade ao permitir que meninos joguem bola e meninas brinquem de casinha, falamos de sexualidade quando ensinamos a gramática, educação física e todos os conhecimentos básicos para o desenvolvimento humano. Omitir sobre a existência da homossexualidade não impede que crianças eventuamente se tornem homossexuais, apenas faz com que essa criança sofra com a possibilidade de se descobrir homossexual. Estamos socializando nossas crianças para conviver em uma sociedade em que a heterossexualidade é a única opção. Omitir sobre a existência de outras expressões da sexualidade é tratá-las como patológicas e menos legítimas, é esquecer que muitas das crianças possuem pais, parentes, amigos ou podem elas mesmas serem gays, lébiscas, bissexuais, transgêneras ou outra. Nesse mundo não é de se estranhar que manifestações homofóbicas sejam muitas vezes vistas como normais, ou pior, não vistas. É preciso um material que trate positivamente sobre as experiências da sexualidade não heterossexuais, para que as crianças sejam socializadas em um mundo em que a homofobia não seja algo tolerável.

A primeira votação resultou na aprovação do do PL 1082/2011, mas para que ele seja aprovado de fato é necessária uma segunda votação, que será realizada amanhã, dia 27. Nessa votação é necessário que pelo menos 2/3 dos vereadores e vereadoras concordem com a aprovação do projeto, que então será enviado para o prefeito para ser vetado ou sancionado. Os vereadores que votaram e suas posições são:

Contra: Adilson Pires (PT), Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), Eliomar Coelho (PSOL), Paulo Messina (PV), Paulo Pinheiro (PSOL), Reimnot (PT), Carlinhos Mecânico (PSD), Brizola  (PDT) e Teresa Bergher (PSDB).

Favoráveis: Argemiro Pimentel (PMDB), Carlo Caiado (DEM), Carlos Bolsonaro (PP), Dr. Edison da Creatinina (PV), Dr. Eduardo Moura (PSC), Dr. João Ricardo (PSDC), Dr. Jorge Manaia (PDT), Ivanir de Mello (PP), João Cabral (PSD), João Mendes de Jesus (PRB), Jorge Braz (PMDB), José Everaldo (PMN), Luiz Carlos Ramos (PSDC), Márcia Teixeira (PR), Nereide Pedregal (PDT), Patrícia Amorim (PMDB), Professor Uóston (PMDB), S. Ferraz (PMDB), Tânia Bastos (PRB), Tio Carlos (DEM) e Vera Lins (PP).

Em resposta a esse projeto diversos grupos do Rio e do Brasil se organizaram, produzindo e recolhendo assinaturas para uma carta aos vereadores e vereadoras do Rio, protestando contra a aprovação. Os grupos estão organizando, pelo facebook, uma mobilização para ocupar a câmara e tentar mudar a decisão, impedindo a aprovação do projeto (página da mobilização: http://goo.gl/AaqdG)

Confira a íntegra do projeto aqui: http://mail.camara.rj.gov.br/Apl/Legislativos/scpro0711.nsf/9355cebbafc2303303257959004ec3c4/6c6d179bf13ca763832578e900474607?OpenDocument

Confira a íntegra da carta de protesto:

Aos vereadores e vereadoras do Rio de Janeiro,


Nós, trabalhadores/as, estudantes, mães, pais, filhos/as, de diferentes orientações e identidades sexuais, cidadãos e cidadãs do Rio de Janeiro, protestamos veementemente contra o projeto de lei 1082/2011, que pretende proibir a distribuição de qualquer material didático sobre diversidade sexual e combate à homofobia nas nossas escolas.


São muitas as pesquisas que mostram como a escola é hoje um espaço preferencial para discriminações e violências. Uma pesquisa do próprio Ministério da Educação mostrou o quanto o preconceito e a discriminação prejudicam não só as vítimas dessa violência, mas todo o conjunto da escola, que tem inclusive seu rendimento acadêmico prejudicado. Portanto, combater o racismo, o sexismo, o machismo, a homofobia, toda e qualquer forma de discriminação é sim um dever da escola, especialmente de uma escola pública. E não há como combater o preconceito se não se pode falar dele. Os materiais didáticos são um dos caminhos mais importantes para levar essa discussão para as nossas escolas, investindo para que elas se tornem de fato democráticas e cidadãs.


Existem leis e diretrizes hoje que orientam o que deve ser ensinado nas escolas brasileiras – como os Parâmetros Curriculares Nacionais, por exemplo. Diretrizes que são fruto de um amplo debate com pesquisadores, profissionais e com toda a sociedade, que acontece nos conselhos e nas conferências de educação. Ainda assim, cada rede, cada escola e cada educador/a deve ter um grau de liberdade para desenvolver o seu trabalho em sala de aula. Uma lei como esta abre um precedente muito perigoso, em que o legislativo pode censurar determinados assuntos a partir de interesses político-partidários e impedir que temas importantíssimos sejam discutidos em nossas escolas. Esse projeto não atenta só contra os direitos de grupos específicos, mas é uma ameaça à própria educação pública e democrática.

Por tudo isso, defendemos que o projeto de lei 1082/2011 deve ser REJEITADO por esta Câmara, numa demonstração de compromisso com a Educação, com os princípios democráticos da Constituição brasileira e com a garantia dos direitos de todos/as os/as cidadãos/ãs cariocas

1, 2,3, 4, 5 anos depois (ou Pede que eu te chupo!)

(carta de repúdio do Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual GUDDS! UFMG)

Em 2007, @s estudantes veteranos da engenharia impunham como rito de passagem @s calour@s um trote em que semi-nus, pintad@s e suj@s de farinha caminhavam pelo campus em direção à avenida Antônio Carlos entoando cantos, dentre eles um que ficou famoso “1, 2, 3, 4, na FAFICH só tem viado. 4,3,2,1 eles dão pra qualquer um”. Frente a essa situação de clara intolerância e homofobia, um grupo de estudantes se reuniu para dizer que não era possível continuar tolerando a homofobia dentro do campus e cobrar da administração alguma atitude. Nascia assim o GUDDS! – Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual.

Em resposta aos trotes homofóbicos o GUDDS realizou dentro da UFMG duas audiências públicas, em que denunciava a existência dessas ações. Em resposta a administração, representada na maioria das vezes em que o diálogo ocorreu pela Diretoria de Assuntos Estudantis – DAE, se recusava a reconhecer a situação. Em um primeiro momento afirmou claramente desconhecer do trote, em um segundo, afirmou que mesmo que ele ocorresse, não haveria ali nenhuma homofobia, apenas um rito de passagem compartilhado pel@s estudantes. Sob pressão a administração realizou uma campanha chamada “a diversão não é só sua”, para tentar instituir um ambiente de maior tolerância, mas não abordou diretamente a questão do machismo ou homofobia nos trotes.

Cinco anos se passaram desde 2007 e nos perguntamos: reitoria, o que foi feito em relação aos trotes homofóbicos e machistas? Aparentemente nada. Jornais locais, como o Estado de Minas, apontam que nessa quinta, dia 22 de Março de 2012, mais uma vez ocorreu um trote que faz uso de violências como um ritual de passagem. Segundo os relatos dos jornais não apenas duas calouras foram amarradas a um poste, como alguns veteranos fantasiados de policiais pegaram uma camisinha, colocaram em um cassetete e fizeram com que calouros e calouras chupassem. O GUDDS exige imediata investigação para que se apure a veracidade dos fatos narrados.

Caso considerados verdadeiros, o GUDDS repudia essa ação d@s veteran@s, não é possível que se tolere trotes em que se violente mulheres, restrinja suas liberdades e as reduzam a objetos. Não é razoável que a dinâmica do trote seja pacífica como afirmam @s organizadores. Sabemos que o consentimento nessas ações coletivas é algo fraco, que a recusa de participar dos trotes muitas vezes é algo impossível, mesmo que seja anunciado como tal, pois há o medo d@ calour@ da rejeição pela turma e pel@s veteran@s no caso da recusa. Participar do ritual é uma forma de ser aceit@ no grupo e por essa razão muit@s consentem com a humilhação.

Além disso, sabemos que a dinâmica pela qual o preconceito atua impede de percebermos os limites da realidade, o machismo e a homofobia nos cegam de percebermos nossas próprias ações como machistas e homofóbicas! A ideia que organiza esse tipo de trote reproduz uma hierarquia de gênero, sexualidade e poder: masculino/feminino, chupado/chupador, dominante/dominado, humano/inumano, sujeito/objeto. O falo que é chupado nessa relação é um símbolo de poder, daquele que é chupado em relação ao que chupa (um símbolo de poder reforçado pelas vestimentas de policial). O ato de chupar nessa situação representa algo degradante, uma relação de submissão e que é ligada diretamente ao feminino, ou seja, aquele que não possui o falo. O chupador, por não possuir o poder do falo, se submete ao outro. Ele deixa de ser sujeito, a humilhação ligada a relação de subalternização retira a condição de sujeito e de humano daquele que chupa, reduzindo-o a objeto. Quando aplicado a outros homens a ação de chupar aplica uma lógica similar: dessa vez, o ato de chupar não é visto como algo adequado para o comportamento masculino, uma vez que chupar está ligado ao feminino. Sendo assim, o homem ao se aproximar do feminino perde sua condição de poder, sendo reduzido a condição de homossexual – como se a homossexualidade fosse uma deterioração da masculinidade heterossexual em direção ao feminino -. Em última instância a humilhação percebida nessa brincadeira se dá porque se atribui tanto ao feminino quanto ao homossexual status negativos. O que esse trote quer dizer é que em nossa sociedade mulheres e homossexuais são seres inferiores. Esse trote está dizendo que chupar não é algo bom!

O GUDDS não coaduna com esse projeto de sociedade reproduzido pelos estudantes do IGC em que feminilidade e homossexualidade são coisas negativas. Abaixo o falocentrismo, o machismo e a homofobia! Reivindicamos o direito a autodeterminação das nossas próprias identidades, reivindicamos a autonomia aos nossos corpos, afirmamos veementemente que ser mulher, ser gay, travesti, lésbica, bi ou trans é bom! Aproveitamos também para ressignificar a ideia do chupar. Gritamos em alto e bom tom: somos senhor@s de nossos corpos, de nossos fazeres e de nossos gozos. Chupamos e não somos inferiores. Chupamos se queremos, quando queremos e quem queremos. Chupamos, somos chupad@s e convidamos a todos vocês para chuparem e serem chupad@s. Chupamos e é bom!

Com isso o GUDDS deseja reivindicar o fim dos trotes homofóbicos e machistas dentro da UFMG com a investigação e responsabilização dos organizadores caso seja confirmado como verídico o conteúdo machista e homofóbico. Reivindicamos que a UFMG institua imediatamente políticas para evitar futuros trotes homofóbicos e machistas. Reivindicamos uma política integral de promoção do respeito a diversidade sexual e as mulheres na Universidade!

Edit:

Em tempo, a reitoria da UFMG por volta das 16:40 de hoje (sexta 23.03.12) divulgou uma carta na qual repudia os trotes discriminatórios. Confira o inteiro teor clicando na miniatura abaixo:

A casa da cadela e a casa dos homens

Casa das Cadelas


Vestibular que abre as pernas

Nova Lima é a casa dela

Vestibular que abre as pernas

Nova Lima é a casa dela

É casa, é casa, é casa de cadela

Casa, casa, casa de cadela, então

Late que eu tô passando

Late que eu tô passando

Late que eu tô passando

Cadela da Milton Campos

Late, late, late que eu tô passando

Late, late, late, que eu tô passando

Aproveita que tem grana

E paga um motel motel

A casa de Nova Lima

Mais parece um bordel

Late que eu tô passando…

A música transcrita acima faz parte do repertório da charanga da Faculdade de Direito da UFMG. Músicas como essa são boladas e ensaiadas durante o ano inteiro para serem entoadas em eventos como o Jogos Jurídicos e Calouradas. A lógica é parecida com a das torcidas organizadas, mas no lugar de um time de futebol a disputa é entre faculdades e alguns valores próprios são ressaltados e os concorrentes insultados. Os estudantes da UFMG na maioria das músicas enfatizam sua inteligência e depreciam as outras faculdades por pagarem, possuírem vestibulares fáceis e em várias ocasiões fazem menções as mulheres fáceis, as cadelas.

Diversos são os aspectos que poderiam ser analisados a partir dessa música, mas, por mais estranho que pareça, nesse oito de março de 2012, o foco será no comportamento masculino e na construção da masculinidade em nossa sociedade.

Butler nos informa que o processo performativo de construção da identidade masculina heterossexual é construído através da negação cotidiana de qualquer comportamento ou signo que possa ser interpretado como feminino. O tornar-se homem é o não se tornar mulher. Podemos perceber isso na forma como os meninos são criados. Quando bebês é muito comum que meninos integrem universo feminino, ou seja, estão sempre com a mãe, brincam indistintamente com meninos e meninas, até vão com a mãe no banheiro feminino em locais públicos. Porém quando adquirem uma certa idade são removidos do universo feminino, devem brincar com meninos, frequentar o banheiro masculino e se distanciar um pouco da mãe e se aproximar do pai (se é que existe ou está presente), ou seja, devem fazer coisas “de homem”. É o que o pensador Daniel Welzer-Lang chama de a casa dos homens, esses espaços frequentados exclusivamente por homens e importantes para sua formação nos padrões do masculino.

A casa dos homens é o lugar metafórico para onde os meninos, iniciantes, vão para aprender o masculino e tornar-se homem, aceitando as regras dos antigos, já iniciados. A casa possuí diversos quartos, salas, ou seja, etapas. E a cada etapa conquistada o menino vai se tornando iniciante para uma nova, mas ao mesmo tempo iniciado, que pode iniciar outros nas etapas já conquistadas. É uma espécie de rito de passagem. Uma das formas de se iniciar na casa dos homens é pelo esporte, o aprendizado do futebol é uma forma para o menino se afirmar que não deseja ser mulher – que como diz o manual são frágeis e não praticam essas coisas -, é a construção do corpo rígido, duro, viril. É o aprendizado de que homem não chora, de outros maneirismos e gestuais típicos.

A construção do masculino é, ao mesmo tempo, “a submissão ao modelo e obtenção de privilégios do modelo” (WELZER-LANG, 2001). A submissão ao modelo é feita, muitas vezes, por meio de violências e abusos dos já iniciados: são socos, chutes, brigas, roubos, violências sexuais e pela criação e entonação de músicas como a Casa das Cadelas. Essas violências são repetidas por aqueles que sofreram, até mesmo como uma forma de exorcização da experiência passada, a medida que o menino se adequa ao modelo e adquire o poder. Esse processo de iniciação e de violência tem como alvo principal o feminino, ou tudo aquilo que pode ser ligado ao feminino. Basta perceber que quem mais sofre são os meninos efeminados, que não se encaixam no modelo. É esse processo que distanciará o homem da mulher. O feminino é hierarquizado como inferior ao masculino, como frágil e servil: são as “cadelas da Milton Campos”, meros objetos do desejo sexual, que abrem as pernas.

A casa dos homens não termina junto com a adolescência, mesmo o homem adulto é continuadamente cobrado para assumir papeis masculinos: são as perguntas sobre quando irá arrumar uma esposa, quando irá arrumar um filho, a cobrança para que consiga sustentar sua família. A falta nesses critérios pode ser identificado como uma fraqueza, uma propensão ao feminino. A casa dos homens existe em praticamente toda a cultura ocidental, mas sua “geografia”, ou seja, a forma como se dá varia bastante em cada país, estado, cidade, bairro, classe social.

Mas, qual a importância de falar sobre o homem e a construção do masculino nesse oito de março? Toda. A dominação masculina, a violência de gênero tem raízes nos significados culturais que damos ao feminino e ao masculino. Buscar um mundo mais justo em questões de gênero implica nos perguntar quais são os modelos de masculinidade e feminilidade que desejamos que sejam reproduzidos. Não é suficiente empoderarmos economicamente as mulheres, inseri-las no mercado de trabalho, pois isso se torna mais uma jornada, uma vez que ainda não as desresponsabilizamos dos cuidados da casa e de um sem número de funções, nem acaba com a ideia de que o corpo feminino é violentável.

Precisamos perceber que a masculinidade deve ser repensada, de uma forma a não ser construída com bases na rejeição e violência do feminino. Na atualidade há diversos modelos de masculinidade, diversas formas de ser homem e precisamos evidenciar e/ou tornar possível outros modelos de masculinidade que não se baseiem na violência ao feminino, masculinidades não sexistas e homofóbicas. É preciso ressignificar o masculino para ao mesmo tempo ressignificar o feminino como algo positivo e valorável. Reapropriar o feminino de sua autonomia sexual: para que a casa da cadela deixe de ser um insulto e algo negativo, para ser um lugar de reconhecimento da sexualidade feminina e experimentação do próprio gozo. É preciso borrar fronteiras para que feminino e masculino não sejam pensados como opostos e excludentes, para que possa ser legítima uma masculinidade feminina e um feminilidade masculina, para que masculino ou feminino não sejam categorias de dominação.

Se tudo isso não for possível, abandonemos então a masculinidade e a feminilidade. Prefiro não ser nada a vivenciar uma experiência de violência e subalternização do outro, quer dizer, da outra.

Referências


BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2008.


PRECIADO, Beatriz. Testo Yonqui. Madri: Espasa Calpe, 2008


WELZER-LANG, Daniel. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 9, n. 2, 2001

Deu no jornal: “Abordagem homossexual de peças divide opiniões”

Vocês viram? Pesquisa do Igor Leal, integrante do Gudds!, foi tema de reportagem no Jornal O Tempo do último sábado, 14 de janeiro, sob a batuta da repórter Júlia Guimarães. Confira!

Cena do espetáculo "O Nome dela É Valdemar", que foi analisado na pesquisa "O Riso e a (in)Visibilidade" (foto: reprodução de O Tempo)

Entre as comédias em cartaz na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, um elemento é recorrente: muitos são os espetáculos a abordarem o riso a partir da representação do homossexual. Os contornos dessa representação, porém, costumam gerar opiniões e análises distintas.

Se, por um lado, há quem veja a construção de uma identidade estereotipada e limitadora do gay nas montagens, por outro existe também a defesa de que tal visibilidade ajudaria a reduzir preconceitos.

Recentemente, o assunto foi tema de uma pesquisa realizada pelo Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (Gudds), intitulada “O Riso e a (in)Visibilidade”, que analisou a temática homoerótica nos espetáculos da 36ª Campanha, realizada em 2009. A pesquisa selecionou peças cuja sinopse evidenciasse a abordagem do tema, somando 11 espetáculos.

A primeira constatação foi de que apenas uma das montagens não estava circunscrita no campo da comédia. O riso foi então um dos princípios da análise, identificado como elemento regulador do convívio social. “Usamos a definição do riso de Bergson, como algo que reprime as excentricidades. Mas não realizamos uma pesquisa de recepção para entender do que exatamente as pessoas riem. Também percebemos que, nas encenações, o importante era a performance do ator pautada pelo estereótipo, mais do que a trama”, diz Igor Leal, ator e integrante da pesquisa.

O estudo também constatou que as peças utilizam referências disseminadas socialmente. “Elas constroem a homossexualidade com os mesmos parâmetros do senso comum, por isso funcionam tanto”, diz Leal.

Para Luiz Fernando Duarte, que produz duas peças de temática gay nesta Campanha (“O Nome dela É Valdemar” e “Uma Empregada Quase Perfeita”), a intenção de suas comédias é rir de situações presentes no cotidiano de um homossexual.

“A gente recebe muita crítica por acharem que o gay é alvo de riso, mas nossa intenção é apenas a de narrar situações engraçadas”, defende. “Não acho que os personagens sejam estereótipos pois existem vários tipos de gays retratados nas peças. A gente busca passar o que é real”.

A pesquisa conclui, porém, que as comédias abordadas não podem ser encaixadas no conceito de homoerotismo, por adotar uma perspectiva limitadora sobre as relações homossexuais. “Elas não problematizam nem levantam as diferentes possibilidades afetivas de relacionamento gay”, aponta Igor Leal.

Veja outras peças com temática homossexual em cartaz na Campanha de Popularização do Teatro deste ano (reprodução O Tempo)

Teste

Testando postagens pelo iPhone GUDDS

“Lembrar para não repetir”

“A nossa luta é todo dia, contra o racismo, o machismo e a homofobia”

Lembrar para não repetir. Anteontem, dia 29 de novembro, em frente à Reitoria da UFMG, estudantes de Psicologia da universidade, com o apoio do GUDDS! e do NUH – Núcleos de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG, realizaram, no início da tarde, um ato em memória de vítimas de homofobia. Continue lendo

Lembrar para não repetir

Na terça-feira, dia 29 de novembro, acontecerá no gramado da reitoria da UFMG (Campus Pampulha), a ação Lembrar para não repetir: homenagem às vítimas de homofobia no Brasil. A ação é uma iniciativa de estudantes de psicologia da UFMG e conta com apoio do GUDDS!, busca por meio de uma forma singela e bonita intervir no ambiente com o uso de balões coloridos e distribuição de panfletos sobre a homofobia. O ato terá início às 12:30.

Contamos com a participação de tod@s!

Você viu? “O nascimento de Joicy”

Não, não.

Apesar de parecer, esse não é o título de um filme da Sessão da Tarde, mas sim de uma reportagem especial feita pela jornalista Fabiana Moraes, do Jornal do Commercio, de Pernambuco, contando o processo de cinco meses para a transformação do agricultor João Batista, 51 anos, em Joicy Melo da Silva, cabeleireira da cidade de Alagoinha.

Leia a apresentação da matéria e clique na imagem para ler o restante. Você não vai se arrepender – pelo contrário, vai se emocionar:

Clique para ler o restante da reportagem!

Joicy Melo da Silva nasceu no dia 22 de novembro de 2010, às 12h30. Pesava 74 quilos e media 1,63 metro de altura. Naquele dia, mais sete partos foram realizados no Hospital das Clínicas, na Cidade Universitária, Recife. O de Joicy foi sem dúvida o mais complicado de todos: durou quase sete anos e envolveu uma série de especialistas. Três deles estavam no exato momento no qual ela veio ao mundo. O primeiro a chegar ao bloco cirúrgico saiu de casa às 7h, sem tomar café da manhã. Sabia que, como médico, tinha que mudar tal hábito. Outro atravessou entre aborrecido e resignado o engarrafamento de todos os dias. Havia sempre uma multidão de carros entre sua casa, na Zona Norte, e o hospital onde, no saguão, sempre há alguém desesperado. O último, que mora perto do mar, visitou a paciente um dia antes. Tinha que conferir se ela realmente estava bem para vir ao mundo. Quando Joicy nasceu, morreu João Batista, 51 anos, filho de Irene (83, viva) e Eupídio Luiz (77, enterrado). Foram os dois que ensinaram o garoto a plantar milho, mandioca, feijão.

Moravam na caatinga, no Campo do Magé, área rural de Alagoinha (13.761 habitantes, 225 quilômetros da capital). Não poderiam prever que, décadas depois, o filho iria usar esmalte cor rosa-pitanga e sofrer por um rapaz enquanto ouvia música de novela. Não sabiam que ali na roça quem os ajudava era uma menina. Aí o chamavam de João. João que sempre foi muito zeloso, João que nunca deu trabalho, João que até plantou um jardim ao lado da casa. Só para eles esse menino deixou saudade – há tempos Joicy sabia que ele existia apenas aparentemente. Foi por isso que decidiu, apesar do olhar triste e reprovador da mãe, findar com ele. Um dia, deitou-se em uma maca e dormiu. Ali matou João. Ali nasceu Joicy. Sua história, acompanhada durante cinco meses, começa a ser contada hoje nesta reportagem especial.