Arquivos do Autor:Janaina Rochido

Está sabendo? II ENCONTRO DE FORMAÇÃO – RUDS Minas

Não perca! Veja abaixo a programação completa e participe!

Convite: 1º Encontro Disseminando o PNEDH será realizado dia 31/10, em BH

Como dita a descrição do evento, “o encontro consiste em repactuar significado dos Direitos Humanos, além de ilustrar os moldes de alguns projetos bem-sucedidos de educação em Direitos Humanos, disseminando as experiências colhidas nas edições anteriores do prêmio, contribuindo para o desenvolvimento de novas práticas”.

O encontro acontece em Belo Horizonte dia 31, próxima segunda-feira, na Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. Para inscrição e outras informações, o e-mail é o contato@educacaoemdireitoshumanos.org.br e o site é o http://www.educacaoemdireitoshumanos.org.br/.

Divulgue, participe!

Você viu? STJ reconhece casamento homoafetivo por 4 votos contra 1

[Reproduzido de Gay.com.br]

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A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), numa decisão inédita que entrou na história do movimento LGBT brasileiro, por maioria, proveu o recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil direto, ou seja, que não seja convertida através de uma união estável homoafetiva. Segundo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento.

O julgamento, que teve o seu início na última quinta-feira, 20/10, foi movida pelo SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade. Após quatro dos cinco ministros terem votados a favor do reconhecimento do casamento civil das duas mulheres gauchas, o ministro Marco Aurélio Buzzi pediu vistas ao processo, o que acabou suspendendo o julgamento. Na sessão desta terça-feira, 25/10, o ministro acompanhou o voto favorável do relator, reconhecendo assim a possibilidade de habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento civil.

Para o ministro Luis Felipe Salomão, o legislador poderia, se quisesse, ter utilizado expressão restritiva, de modo que o casamento civil homoafetivo ou casamento igualitário ficasse definitivamente excluído da abrangência legal, o que não ocorreu.

“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) [quando reconheceu a união estável homoafetiva em maio deste ano], para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável em casamento“, concluiu Salomão.

Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no atual estágio do desenvolvimento humano.

O ministro Raul Araújo, que acompanhou o relator na sessão da semana passada, retificou seu voto. Para o ministro, o reconhecimento à união homoafetiva dos mesmos efeitos jurídicos da união estável heterossexual, de forma como já decidido pelo STF, não alcança o instituto do casamento. Por isso, ele não conheceu do recurso e ficou vencido.

Raul Araújo defendeu que o julgamento do recurso fosse transferido para a Segunda Seção do STJ, que reúne as duas Turmas responsáveis pelas matérias de setor privado, como forma de evitar a possibilidade de futuras decisões divergentes sobre o tema no Tribunal. Segundo o ministro, a questão tem forte impacto na vida íntima de grande número de pessoas e a preocupação com a “segurança jurídica” justificaria a cautela de afetar o caso para a Segunda Seção. A proposta, porém, foi rejeitada por três votos a dois.

A defesa do casal alegou que o Código Civil não considera a identidade de sexos um impedimento para o casamento. O advogado Paulo Roberto Iotti Vecchiatti sustentou que, no direito privado, o que não é expressamente proibido é permitido.

Para o advogado, “a certidão do casamento civil torna mais fácil a vida do casal uma vez que a união estável prova a relação somente até aquele momento. Então a certidão de casamento civil torna a presunção absoluta de que estão casados até que haja divórcio”.

Repercutindo a decisão história do STJ, para o deputado Jean Wyllys, “a decisão do STJ é importantíssima, mas ainda não é lei“, por isso a necessidade de se votar na PEC da sua autoria do casamento civil igualitário. “Só o poder Legislativo (o Congresso Nacional) pode transformar as decisões do Judiciário (STF e STJ) em lei”, escreveu Jean no seu perfil no Twitter.

Já a senadora Marta Suplicy, que em 1995 apresentou o  projeto de lei 1.1151 de parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo, mencionou no seu Twitter apenas que “com alegria celebramos mais essa vitória”.

O fundamentalista evangélico pastor Silas Malafaia, que durante a sessão do STJ estava pedindo para seus seguidores que pedissem para os ministros do STJ votassem contra, não enviou nenhuma mensagem depois que o julgamento foi finalizado. Naquele momento, talvez no auge da “emoção”, faltou palavras para o pastor, mas nada que ele não continuará a maldizer depois contra famílias homoafetivas, que agora têm os direitos respaldado no Judiciário.

“Mãe” da união estável homossexual pode virar ministra do STF

[Reproduzido lá do Parou Tudo]

Reprodução: Parou Tudo

Reprodução: Parou Tudo

A subprocuradora-geral Deborah Duprat, autora da Ação Direta de Inconstitucionalidade que gerou a permissão de união estável homossexual no Brasil, é um dos nomes cogitados a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF).

A presidente Dilma Vana Rousseff quer um mulher no cargo. O que pesa a favor de Duprat são suas ações pró-LGBT, a favor do aborto de anencéfalos e da liberdade de expressão, no caso, do movimento pela legalização da maconha.

O que vai contra ela? O jornal Valor Econômico afirma que é o fato de Duprat ter mais disposição a condenar os envolvidos no mensalão, processo que será julgado em breve pelo STF. Para o PT, isso seria um desastre. Esse fato enfraquece a possibilidade da “mãe” da união estável homossexual vencer.

Deu no jornal: Defesa dos gays terá frente parlamentar em MG

Frente Parlamentar pela Cidadania e pelos Direitos LGBT será lançada em Minas nesta quinta-feira

Deputada estadual Luzia Ferreira (PPS)

Deputada estadual Luzia Ferreira (PPS)

Autora de um projeto de lei que causou tumulto na Câmara Municipal de Belo Horizonte e por pouco não gerou pancadaria no plenário, a agora deputada estadual Luzia Ferreira (PPS) tenta conquistar espaço para a defesa dos homossexuais na Assembleia Legislativa. Uma vitória ela já conseguiu, com o lançamento nesta quinta-feira da Frente Parlamentar pela Cidadania e pelos Direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). Mas o caminho ainda é longo: apenas 20 dos 76 colegas de plenário apoiaram oficialmente a iniciativa.

Com o grupo, ela diz que espera garantir o cumprimento dos direitos e da cidadania dos homossexuais. “Será um espaço de voz para o segmento, além da defesa da aprovação do projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que criminaliza a homofobia”, afirmou nessa quarta-feira Luzia Ferreira. No meio do trabalho, ela contará com a resistência de vários parlamentares – especialmente os mais religiosos. O assunto ainda poderá colocá-la em novo embate com o ex-vereador e hoje deputado Pastor Carlos Henrique (PRB), relator que considerou inconstitucional o projeto que criava o Dia Municipal da Parada do Orgulho LGBT.

A matéria começou a tramitar na Câmara de Belo Horizonte há dois anos, quando Luzia Ferreira presidia a Casa. Em 8 de junho de 2009, chegou ao plenário e foi motivo para muito bate-boca entre os parlamentares da bancada evangélica, contrários ao texto, e aqueles a favor do projeto. Ao fim, a sessão foi suspensa. O clima esquentou durante a votação de recurso que derrubava o parecer de inconstitucionalidade dado pelo relator do texto na Comissão de Legislação e Justiça (CLJ), Pastor Carlos Henrique.

A argumentação dele foi que o projeto gerava despesas para a prefeitura da capital sem dizer de onde sairiam os recursos para organização das comemorações, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). No dia seguinte, o vereador Arnaldo Godoy (PT) até tentou resolver o problema, apresentando uma emenda retirando do projeto o artigo prevendo que a prefeitura organizaria o evento. Mas não houve acordo e os parlamentares contrários à matéria não registraram presença no plenário, faltando o quórum mínimo para a votação.

Diante de tanta polêmica, o projeto foi retirado de tramitação na Câmara. Dois anos depois, Luzia Ferreira planeja apresentar projeto semelhante na Assembleia Legislativa – onde não há nenhum proposta tratando de interesses dos homossexuais em tramitação. Se ela teme nova resistência? “Agora estou vacinada”, brincou.

Matéria de Isabella Souto, retirada do jornal Estado de Minas, em 6 de outubro de 2011.

Marcha pelo Estado Laico acontece em BH dia 17 de setembro

A discussão é urgente e importante, pessoal! O GUDDS! está ajudando na organização da marcha e, para o final do evento, estáprevisto um beijaço em protesto pelo casal gay que foi agredido em plena Praça da Liberdade, no último dia 7 de setembro.

Veja detalhes abaixo e fale com seus amigos – a participação de todos é imprescindível para que a questão venha a debate!

MARCHA PELO ESTADO LAICO

Acontece também em Belo Horizonte a marcha pela laicidade no Brasil. A Marcha pelo Estado Laico se concentrará na Praça Afonso Arinos, dia 17 de setembro, às 14 horas. A manifestação terminará na Praça da Liberdade.

A Praça Afonso Arinos, que já foi conhecida como Praça da República e palco da resistência estudantil ao Golpe Militar, será o local de concentração para a Marcha pelo Estado Laico em sua edição de Belo Horizonte. A partir das 14h de sábado, dia 17, ativistas de vários movimentos sociais irão se preparar para seguir trajeto até a Praça da Liberdade.

As Marchas pelo Estado Laico surgiram em oposição ao aumento das interferências de grupos religiosos em políticas públicas brasileiras. Apesar da definição constitucional de nosso Estado ser laico, há vários exemplos de crenças e moral de base religiosas sendo usadas para determinar e limitar o debate público acerca de leis e ações estatais. No legislativo, parlamentares confundem a representação dos interesses do povo com a imposição de valores e moral religiosa a toda uma população. Juízes decidem seguir “lei de Deus” ao invés dos princípios constitucionais e determinações legais. E mandatários do poder Executivo subsidiam, fazem alianças e acordos com instituições religiosas.

A demanda da Marcha pelo Estado Laico é pela discussão à luz da Constituição e afirmativa do Estado Democrático de Direito. Traz à pauta assuntos caros à sociedade tais como diversidade religiosa e liberdade de crença, fortalecimento da educação laica, casamento entre pessoas do mesmo sexo, descriminalização do aborto, criminalização da homofobia, entre outros, de forma que reflita o conjunto da sociedade brasileira, plural e diversa.

A Marcha pelo Estado Laico já aconteceu em São Paulo e Recife (21 de agosto), no Rio de Janeiro (25 de agosto), em Florianópolis (30 de agosto). Acontecerá em Belo Horizonte e Curitiba (17 de setembro), além de Brasília (30 de novembro).

Organização:

Daniel Fernandes – daniel.fernandes@gmail.com

Túlio Vianna –  prof@tuliovianna.org

Cynthia Semíramis – cynthiasemiramis@gmail.com

http://marchaestadolaicobh.wordpress.com/

http://marchaestadolaico.wordpress.com/

I Conferência Municipal de Políticas Públicas e Direitos LGBT – Santa Luzia

Clique para ver maior e participe!

VII Semana BH Sem Homofobia: “Uma conversa franca – conhecendo mais sobre o Kit Escola Sem Homofobia”

VII Semana BH sem Homofobia – começa neste sábado!

Tem festas, seminários, mostras de filmes, feijoada… vai bombar! Participe e convide seus amigos!

Tema: Chega de mortes e violência!

Por um Brasil sem homofobia!

 

16/07/2011- Lançamento do Manifesto da 14º Parada do Orgulho LGBT

 

16/07/2011- Arco-íris vai à feira

Loca: Feira Tom Jobim, 13h

Endereço: Av. Bernardo Monteiro, S/N, Funcionário – BH/MG

Contato: (31) 3075-5724

 

17/07/2011-I Feijoada da Diversidade

Local: Escola de Samba Cidade Jardim, a partir das 12h.

Endereço: Rua Gentios, 1415 c/ a Raja Gabaglia, 2200 – Conjunto Santa Maria

Contato: (31) 3075-5724

 

18/07/2011- Mostra de Filme – 3 Formas de Olhar

Filme: Dzi Croqueti

Local: Centro de Cultura de Belo Horizonte, 19h

Endereço: Rua da Bahia , 1149 – Centro – BH/MG

Contato: (31) 3075-5724

 

19/07/2011- CRP-MG na luta por uma Minas sem homofobia

Tema: “Uma conversa franca: conhecendo mais sobre o kit escola sem homofobia”.

Local: Sede do Conselho Regional de Psicologia

Endereço: Rua Timbiras, 1532, 6º andar – Lourdes – BH/MG

Realização: Comissão de Direitos Humanos/CRP-MG e CELLOS-MG

Contato: (31) 2138-6767

 

20/07/2011- Cerimônia de entrega do VII Prêmio Direitos Humanos e Cidadania LGBT de Belo Horizonte

Local: Museu Abílio Barreto, 19h.

Endereço: Av. Prudente de Moraes, 202- Cidade Jardim – Belo Horizonte

Contato: (31) 3075-5724

 

21/07/2011 – Seminário: Decisão do Supremo Tribunal Federal e seus desdobramentos na garantia dos direitos e cidadania LGBT

Local: Assembléia Legislativa de Minas Gerais

Endereço: Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho, – BH/MG

Realização: Centro de Referência LGBT de Belo Horizonte, Comissão da Diversidade Sexual da OAB-MG, Ministério Público Estadual.

Contato: (31) 3277-4128

 

22/07/2011- 9º Seminário Saúde e Visibilidade

Local: Secretaria de Políticas Sociais de Belo Horizonte, 14h

Endereço: Av. Espírito Santo, 505, 18º andar – Centro – BH/MG

Realização: Associação Lésbica de Minas Gerais

Contato: (31) 3267-7871

 

23/07/2011- I Seminário Mineiro de Organizadores de Parada que fazer prevenção as DST/AIDS e Hepatites Virais

Local: Secretaria Municipal Adjunta de Direitos e Cidadania, 9h

Endereço: Av. Espírito Santo, 505, 12º andar – Centro – BH/MG

Contato: (31) 3075-5724

 

23/07/2001- Encontro de Voluntários – Tudo Haver Especial

Local: Secretaria Municipal Adjunta de Direitos e Cidadania, 14h

Endereço: Av. Espírito Santo, 505, 12º andar – Centro – BH/MG

Contato: (31) 3075-5724

 

23/07/2011- Festa da XIV Parada do Orgulho LGBT de Belô

Local: Gis Club, 22h

Endereço: Av. Barbacena, 133, Barro Preto – BH/MG

Contato: (31) 2515-4121

 

24/ 07/2011 – XIV Parada do Orgulho LGBT de BH

Local: Praça da Estação – Centro de Belo Horizonte

Horário: a partir das 11h – Ato: Político e Cultural

16h – Saída da Parada

Itinerário: Rua da Bahia, Av. Afonso Pena e finaliza c/ a Rua Prof. Moraes

Realização: CELLOS-MG

Contatos: (31) 3075-5724,

E-mail: cellosmg@yahoo.com.br,

Blog:  http://cellos-mg.blogspot.com/

Drauzio Varella: Violência contra homossexuais

Retirado do site do médico Drauzio Varella.

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?